quinta-feira, 18 de junho de 2020

aula 09 - CHALLENGE DA AULA 08

CHALLENGE DA AULA 08 (DESAFIO DA AULA 08)

EXEMPLO


aula 08 - INTERPRETAÇÃO E REPRESENTAÇÃO

INTERPRETAÇÃO E REPRESENTAÇÃO - UMA INTRODUÇÃO AO TEMA

ATIVIDADE DE DIÁLOGO:



01 - TEM CERTEZA QUE É AQUI

02 - O QUE

01 - ELE JÁ DEVERIA ESTAR AQUI

02 - ELE NÃO GARANTIU QUE VINHA

01 - NÓS JÁ ESTIVEMOS AQUI ANTES

02 - NÃO, NÓS NÃO ESTIVEMOS AQUI

01 - PARA MIM NÓS JÁ ESTIVEMOS AQUI

02 - TEM CERTEZA QUE ERA HOJE

01 - O QUE

02 - QUE ELE MARCOU O ENCONTRO

01 - ELE DISSE SÁBADO, EU ACHO

02 - VOCÊ ACHA

ATIVIDADE:
Crie dois personagens distintos preenchendo fichas disponibilizadas na aula 05 <https://andersondesousalima.blogspot.com/2020/06/aula-05-do-projeto-aulas-de-teatro-on.html> e faça uma montagem de vídeo representando os dois personagens criados dialogando o texto acima.

aula 07 - GRÉCIA, MÁSCARAS E MITOS

GRÉCIA MÁSCARAS E MITOS



Mito e filosofia:
"Considerados há muito tempo como antagônicos, mito e filosofia protagonizam atualmente uma (re)conciliação. Desde os primórdios, a Filosofia, busca do saber, é entendida como um discurso racional que surgiu para se contrapor ao modelo mítico desenvolvido na Grécia Antiga e que serviu como base de sua Paideia (educação). A palavra mito é grega e significa contar, narrar algo para alguém que reconhece o proferidor do discurso como autoridade sobre aquilo que foi dito.
Assim, Homero (Íliada e Odisseia) e Hesíodo (Teogonia e Dos trabalhos e dos Dias) são considerados os educadores da Hélade (como se chamava a Grécia) por excelência, bem como os rapsodos (uma espécie de ator, cantor, recitador) eram tidos como portadores de uma verdade fundamental sobre a origem do universo, das leis etc., por reproduzirem as narrativas contidas nas obras daqueles autores.
Foi somente a partir de determinadas condições (navegações, uso e invenção do calendário e da moeda, a criação da democracia que preconizava o uso da palavra, bem como a publicidade das leis etc.) que o modelo mítico foi sendo questionado e substituído por uma forma de pensar que exigia outros critérios para a confecção de argumentos. Surge a Filosofia como busca de um conhecimento racional, sistemático e com validade universal.
De Aristóteles a Descartes, a Filosofia ganhou uma conotação de ciência, de conhecimento seguro, infalível e essa noção perdurou até o século XIX, quando as bases do que chamamos Razão sofreu duras críticas com o desenvolvimento da técnica e do sistema capitalista de produção. A crença no domínio da natureza, da exploração do trabalho, bem como a descoberta do inconsciente como o grande motivador das ações humanas, evidenciaram o declínio de uma sociedade armamentista, excludente e sugadora desenfreada dos recursos naturais. A tendência racionalista fica, então, abalada e uma nova abordagem do mundo faz-se necessária.
O que era tido antes como pré-cientifico, primitivo, assistemático, ganha especial papel na formação das culturas. As noções de civilização, progresso e desenvolvimento vão sendo substituídas lentamente pela diversidade cultural, já que aquelas não mais se justificam. A releitura de um dos pensadores tidos como fundadores do idealismo racionalista preconiza que já na Grécia o mito não foi meramente substituído nem de forma radical, nem gradual pelo pensamento filosófico. Os textos de Platão, analisados não somente pela ótica conceitual, mas também dramática, nos proporciona compreender que um certo uso do mito é necessário onde o lógos (discurso, razão, palavra) não consegue atingir ainda seu objeto, ou seja, aquilo que era apenas fantasioso, imaginário, ganha destaque por seu valor prático na formação do homem.
Dito de outro modo, embora o homem deseje conhecer a fundo o mundo em que vive, ele sempre dependerá do aperfeiçoamento de métodos e técnicas de interpretação. A ciência é realmente um saber, mas que também é histórico e sua validade prática depende de como foi construído argumentativamente. Interessa perceber que Filosofia é amor ao saber, busca do conhecimento e nunca posse, como define Platão. Então, nunca devemos confundi-la com ciência, que é a posse de um saber construído historicamente, isto é, determinado pelas condições do seu tempo. Portanto, Mito, Filosofia e Ciência possuem entre si não uma relação de exclusão ou gradação, mas sim de intercomplementaridade, haja vista que um sempre sucede ao outro de forma cíclica no decorrer do tempo."
Por João Francisco P. Cabral
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU
Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

texto totalmente extraído de https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/mito-filosofia.htm em 19 de junho de 2020

quarta-feira, 10 de junho de 2020

aula 06 - TRAGÉDIA - Aula do Projeto Teatro OnLine Grátis - GETA - Anderson Lima


Aula inicial de teatro Grego do Projeto de Teatro OnLine Grátis - GETA - Anderson Lima


TRAGÉDIA (origem e evolução)
De tragos ("bode") e oidé ("canto"), o termo grego tragoedia significa, literalmente, "o canto do bode", com nítida referência às festividades em honra de Dionísio (Baco), o criador da uva e o produtor do vinho. Narra o mito que, na região da Ática, o deus, por ocasião da vindima, recebia homenagens rituais em que lhe era sacrificado um bode ("bode expiatório"), acusado de comer as folhas das videiras. A parte mais importante dos rituais dionisíacos, constituídos de danças e preces, era o canto do ditirambo, apelido de Baco que significa "aquele que nasceu duas vezes" (do ventre da princesa tebana Sêmele e da coxa de Júpiter\Zeus). O ditirambo era um hino religioso em que um coro de doze pessoas selecionadas ("coreutas") cantava as façanhas do deus. Aos poucos, esse canto lírico-narrativo foi adquirindo aspectos dramáticos: o coro se dividiu em duas partes, uma fazendo perguntas e outra respondendo; um corifeu passou a coordenar o canto dos dois semi-coros; posteriormente, já na fase histórica da Grécia, em 534 a.C., Téspis, o primeiro dramaturgo de que temos notícias, acrescentou um ator, chamado hipokrités (hipócrita = "aquele que finge") que, usando máscaras e vestimentas apropriadas para representar personagens mitológicas, passou a dialogar com o coro. A esse ator (protagonista) acrescentaram-se outros, dando origem ao núcleo fundamental da arte teatral, quando os episódios da vida de Dionísio deixaram de ser liricamente cantados ou epicamente narrados por um contador de histórias, para serem dramaticamente representados. A temática, que inicialmente tratava apenas de episódios do mito de Dionísio, começou a ampliar-se, sendo dramatizadas as principais histórias e lendas do cabedal cultural dos gregos: fatos referentes ao ciclo troiano (façanhas dos heróis da Grécia e de Tróia) e micênico (a tragédia de Agamenon e sua família), o mito de Édipo, de Teseu (Hipólito e Fedra), dos Argonautas (Jasão e Medéia). Chegaram até nós apenas 32 peças (sete tragédias de Ésquilo, sete de Sófocles e dezoito de Eurípedes). Forma e sentido da tragédia grega encontram-se sintetizados na definição do filósofo e crítico Aristóteles:
"É, pois, a tragédia imitação de ações de caráter elevado,
completa em si mesma, de certa extensão, em linguagem erudita
e com várias espécies de ornamento distribuídas pelas diversas partes do drama;
imitação que se efetua não por narrativa, mas mediante atores,
e que, suscitando o terror e a piedade,
tem por efeito a purificação (catar-se) desses sentimentos."
A reflexão sobre esta conceituação aristotélica da tragédia e, sobretudo, a leitura das peças, nos levam à percepção da essência do trágico, que reside numa tensão entre elementos contrários. Artisticamente, esta tensão é expressa por duas figuras de estilo: a " peripécia" e a ironia. A peripécia é definida por Aristóteles como "a súbita mutação dos sucessos, no contrário": trata-se, portanto, de uma inversão, de uma passagem repentina de uma situação para outra. A peripécia dá-se ao nível fabular, sendo a ação de uma personagem que consegue um resultado oposto ao esperado. Semelhante à peripécia é a ironia dramática, chamada também de ironia do destino: a frustração do herói trágico que vê seu plano de vida aniquilado pelos desígnios insondáveis do fado. Enquanto a peripécia é uma inversão ao nível da estrutura das ações, a ironia é uma inversão ao nível do conteúdo ideológico, pois o sentido final é o contrário do esperado.
Essas duas figuras de estilo ocultam profundas verdades existenciais. De um lado, a luta inglória do homem contra os desígnios do destino: o livre-arbítrio estiola-se contra uma força cósmica ou atávica que impede o homem de superar sua condição de mortal. Em seu afã de alcançar a divindade, o homem comete um erro fatal, um pecado de orgulho, que torna o herói um vilão, merecedor do castigo divino, conseguindo assim a degradação em lugar da melhora desejada. De outro lado e diferentemente dos revoltosos míticos (Adão, Prometeu, Sísifo, Tântalo), o herói trágico é um "culpado-inocente", porque ele não teve a intenção de cometer a maldade, mas, muito pelo contrário, sua ação visava fazer o bem. Se há culpa, ela nunca é do herói como indivíduo, mas de seus ancestrais. O filósofo alemão Hegel ressalta que, numa disputa trágica, ambas as partes opostas têm igualmente razão, pois se propõem fins legítimos em si; mas, ao tentar realizar tais fins, uma parte acaba violando o direito da outra, pois as forças são antagônicas, contradizendo-se reciprocamente.
Para entender melhor essa conceituação do trágico na Grécia antiga, é conveniente recordar a peça de Sófocles, Édipo Rei, de que já falamos no verbete Édipo. O protagonista é o típico herói trágico, pois, ao mesmo tempo, culpado e inocente: culpado porque cometeu parricídio e incesto, mas inocente porque não teve consciência dos crimes a ele imputados. Se houve um culpado, foi a própria vitima Laio, seu pai, que, em sua juventude, por ter seduzido e causado a morte de um jovem amigo, atirou sobre si e sua descendência a maldição divina. Trágico é um homem pagar pela culpa de outro, sofrer sem ter cometido pecado algum, sendo vitima de taras hereditárias, preconceitos raciais e religiosos, guerras estúpidas, injustiças sociais! Esse conceito de trágico, assim como emana do teatro grego, sofreu evoluções ao longo da história do gênero dramático.
Texto extraído de:
em 10 de junho de 2020



sábado, 6 de junho de 2020

Contos INSANOS, mais um!!! Eu Vampiro.

Eu Vampiro

Anderson Lima


Despertei assustado com uma luz fraca sobre mim e acreditei estar amanhecendo. Notei que a luz fraca vinha de um lampião. Achei aquilo engraçado, alguém carregando um lampião, a gás, aqui. Fiquei em silêncio e ouvi os risos dos jovens que se aproximavam sem nem notar a minha presença. Eles falavam de suas aventuras sexuais com garotas mais velhas e foi assim que percebi que eles não tinham mais do que quinze anos. Jovens demais para perceber que o local que eles estavam era perigoso demais para eles. Queria alertá-los, mas não pude me mexer. Olhei para o meu corpo, paralisado, e senti um enorme calafrio passando por cada músculo, cada fibra minha. Senti fome, sede e frio, tudo ao mesmo tempo e tive vontade de me esconder. Senti vergonha de ter essas sensações, mesmo sabendo dos riscos que aquelas crianças corriam. Ouvi um ruído, passos se aproximando e não pude gritar. Queria manda-los correr, se esconder, mas sabia que não havia mais tempo. Aquele era o fim, meu e daqueles garotos que inventavam histórias que ainda não tinham vivido. Era o momento de muitas mortes. Seus gritos de alegria se tornaram gritos de terror. A angustia de suas vidas escapando de seus corpos tão jovens. Senti medo por eles, mas não pude evitar, o seu sangue era a única coisa que me nutria. Não conseguia me mexer, eu pensava, mas minhas mãos estavam em torno de suas gargantas e meus dentes enfiados em suas peles, rasgando enquanto meus lábios sentiam o doce sabor de seu sangue que jorrava e escorria. Eu tentava não desperdiçar, para me nutrir o suficiente, para não precisar de mais. E quando tudo acabou, quando o último fio de vida deixou a última criança, eu queria mais. Minhas pernas, mesmo sem se mover, me levavam para longe dali, a procura de mais vítimas.
Tudo começou quando eu tinha treze anos. Meu pai, ele nos deixou. Quando saia de seu trabalho um carro desgovernado o atropelou. Seu enterro foi sublime. Do jeito que ele queria, com música e muita gente. Todos gostavam dele. E foi lá que eu vi pela primeira vez. Foi lá que eu encontrei meu destino, minha rendição e minha morte. Não acreditei que um menino de treze anos poderia se apaixonar tão cegamente nessa idade. Mas ele me cegou. Furtou meus desejos, meus sonhos e minhas esperanças. Depois do enterro do meu pai ele me seguiu até minha casa. Eu morava em uma rua onde todos se conheciam. Minha casa era simples. Branca, dois quartos e nos fundos do quintal ficava o quarto onde eu guardava meus segredos. Meus amigos, os da minha rua e os da rua vizinha, gostavam de vir brincar comigo e nós falávamos de nossos sonhos e das pessoas mais bonitas da escola. Eles sempre diziam que eu casaria com uma pessoa bonita. Mas isso não aconteceu.
Quando cheguei em casa, todos estavam tristes, minha mãe chorava sentada em uma cadeira. A vizinha dona da padaria dava a ela um copo d’água enquanto dizia que tudo ia ficar bem. Eu não conseguia imaginar como alguma coisa poderia ficar bem depois de termos enterrado meu pai. Alguns dos vizinhos andavam pela casa para ver o que tínhamos e outros abriam nossa geladeira. Quando olhei pela janela, lá estava ele. Vestido de preto, cabelos bem peteados, os sapatos brilhavam e refletiam a luz pálida de um poste. Fiquei encantado, mas não sabia o que fazer. Queria correr para fora e convidá-lo para entrar, mas o que os vizinhos iam falar se eu convidasse um estranho para entrar em nossa casa. Tinha a vontade, mas não tinha o poder. A noite foi ficando fria e as pessoas foram saindo e deixando a solidão para mim e minha mãe. Eu fui para o meu quarto e comecei a recortar papéis e revistas quando ouvi baterem à porta. Minha mãe atendeu e a voz que respondeu era como se fosse uma orquestra de anjos e querubins, todos cantando ao mesmo tempo com tanta afinação que deixaria mudo qualquer cantor. Aquela voz, assim que a ouvi tive certeza. Eu sabia quem era. Meu grande amor, aquele que cativou meu coração e minha mente apenas com um olhar. Ele desejava pêsames a minha mãe e perguntava se havia algo que ele poderia fazer para ajudar. Quase sai correndo do quarto e disse que ele poderia me pedir em casamento que tudo iria ficar bem, mas me contive.
Os segundo passaram como horas enquanto eu ouvia as doces palavras que saiam de sua boca. Conseguia imaginar cada movimento de seus lábios e senti como se ele estivesse me beijando. Loucuras de um menino de treze anos de orientação sexual, como diriam, invertida. Minha mãe então me chamou. Fiquei paralisado, ela queriam e apresentar para ele. Eu não sabia como estava, se meu rosto mostrava as marcas de um enterro, ou se estava tão atraente quanto um adolescente com o rosto cheio de marcas e cicatrizes de espinhas. Corri para o espelho para verificar, passei um gloss suave, arrisquei um rímel e um contorno de olhos, discreto para que minha mãe não percebesse. Minha mãe me chamou de novo. Comecei a passar blush e resolvi trocar de roupa. Colocar alguma coisa mais apropriada para conhecer o grande amor da minha vida. Quando minha mãe chamou pela terceira vez, ela já estava na porta do meu quarto, com um olhar doce e meigo que só uma mãe que quer consolar um filho pode ter. Trazia nas mãos um pedaço de torta de limão, minha preferida e disse que um senhor muito elegante havia levado para acalmar um pouco de meu pranto. Eu corri pela porta, sem nem olhar para as mãos de minha mãe e vi a porta da entrada fechada. A sala vazia. Olhei para traz e vi minha mãe chorando com a torta nas mãos. Ele havia ido embora.
Naquela semana não fui a escola, nem meus amigos vieram brincar comigo. Eu ficava da janela, olhando para o poste e para a rua. Esperava ver novamente aquele que me trouxe o amor. Mas ele não voltou, nem naquela semana, nem no resto do mês. Já havia perdido a esperança de vê-lo novamente quando saindo da escola lá estava ele. Parado. Estava em um carro, daqueles iguais aos que a gente vê em filmes. Quando me viu ele sorriu. Seu sorriso era como um oásis no deserto. Seus olhos brilharam como fogo quando me viu e então eu percebi que ele também me amava. Aproximei-me e perdi o fôlego ao sentir o seu perfume. Era inebriante. Doce como a torta de limão. Eu queria tê-lo para mim. Queria estar em seus braços, beija-lo, possui-lo. Não entendia como esses pensamentos podiam passar pela cabeça de uma criança, mas pensava. Sua pele era como veludo. Peguei sua mão estendida para mim como se fosse a salvação para minha vida. Não sabia que era a condução para minha morte. Deixei que ele me guiasse até o carro, entrei, sentei-me ao seu lado e segui com ele sem perguntar onde iriamos ou o que iriamos fazer. Fui levado sem questionar, sem lembrar-se de minha mãe ou de qualquer outra coisa. Fomos até uma estrada e quando ele parou o carro me perguntou se eu não estava com medo. Ele me disse que eu não deveria sair com alguém que eu não conhecesse. Fiquei irritado com aquilo. Foi ele quem me chamou, foi ele quem me levou até ali e agora queria me dizer o que era certo ou errado.
Sai do carro e voltei pela estrada. Chorava e não percebi quanto escuro estava a noite. Não tive medo até chegar na porta de minha casa, ver o carro do socorro, os enfermeiros, os vizinhos, e minha mãe, saindo de casa deitada em uma maca, coberta com um pano branco que tapava seu rosto. Não entendi porque seu rosto estava coberto até que mãos pousaram sobre meu ombro. Eram as mãos da dona da padaria. Eu não queria aquelas mãos me consolando, não queria ouvir palavras de ninguém além das do meu grande amor. Eu senti a dor pela morte de minha mãe, mas chorava pela ausência dele. Porque ele não estava ali comigo, porque ele não voltou para me pegar e me levar embora.
Entrei em casa correndo, coloquei sapatos e algumas roupas na mochila. Saí pela porta dos fundos para que ninguém me visse. Fugi. Fui pela estrada até o lugar onde o carro estava e ele continuava lá, me esperando. Ele sabia que eu voltaria. Sabia que eu o queria mais que qualquer coisa. Entrei no carro e pedi para que ele me levasse embora para longe dali, onde ninguém me conhecesse. Onde ninguém poderia me consolar além dele. Paramos perto de um bosque, onde pude ouvir os pássaros fugirem e os animais silvestres se esconderem. Ele saiu do carro, abriu a porta para mim e me pegou pelas mãos. Senti que aquele seria o dia mais importante de minha vida. Senti que algo iria mudar para sempre o meu destino. Ele me encostou em uma árvore e sussurrou ao meu ouvido. Sua voz macia não me deixou entender o que ele falava, desceu a boca pelo meu pescoço e ali, delicado como sua voz ele cravou seus dentes.
Eu não senti dor, apenas prazer, o prazer de alimentar o meu grande amor. Queria que aquele momento durasse a eternidade. Mas acabou. E toda a maciez fugiu de seus lábios quando a última gota de meu sangue saiu de meu corpo. Caí sobre as folhas secas, morto. E ele, entrou no carro e foi embora. Não olhou para trás. Não se despediu. A única lembrança que tenho dele foi a fome, que ele me deixou como herança.
Ainda espero, no mesmo bosque, perto da mesma árvore que um dia ele retorne, que ele reconheça o amor que sentimos um pelo outro. Destruo a vida de quem passa, mas não controlo os meus atos. Sigo por instinto, minhas pernas e minhas mãos agem sem controle e minha fome nunca se aplaca. Um dia ele voltará e poderemos nos alimentar juntos, beber o sangue dos que passam por aqui. Viveremos o nosso amor.


quarta-feira, 3 de junho de 2020

A última marola antes da “Primeira Onda”


A última marola antes da “Primeira Onda”
LIMA, Anderson
Muito mais que um xingamento ou uma definição de orientação sexual, o termo bicha determinava uma posição na escala social. Ricos ou pobres, brancos ou pretos, homens, mulheres ou bichas, homens efeminados ou passivo na relação sexual, aquele que é penetrado, tem “a posição social inferior da ‘mulher’...” (GREEN, 2000, PÁG. 279). Em Green (2000) é narrado que até antes dos anos de 1970 “os homens que mantinham relação sexual com outros homens se dividiam em duas categorias: o homem verdadeiro e a bicha”. O papel do “bofe”[1] surge como o homem ativo, que assume o papel de liderança na relação sexual e mesmo tendo relação com outro homem, ainda assim é considerado “homem verdadeiro” (GREEN, 2000). Até meados do séc XX não se tem registros de bares exclusivos ao público GAY, levando esses encontros às praças, becos, praias e banheiros públicos.
A própria história nos apresenta civilizações antigas que consideravam corriqueiras e normais os casos de relacionamento e até mesmo casamentos de pessoas do mesmo sexo. Atos esses que apenas começaram a ser criminalizados no início da era cristã, levando à pena de morte aqueles que os praticava (BOMFIM, 2011). Casos, obviamente, de extorsão política e financeira que tanto Estado quanto Igreja se aproveitaram para ampliar seus bens e recursos. As ordens religiosas e Estatais criaram Leis e regras como n“As Ordenações Manuelinas (1521)... que trataram do “crime de sodomia” no Livro Quinto, Título XII, e, igualmente, determinavam a morte pelo fogo, estabelecendo, contudo, que todos os bens do condenado fossem confiscados à Coroa portuguesa...” (BOMFIM, 2011).
Em detrimento as relações políticas instituem-se as relações de pré-conceitos. As necessidades religiosas da população em geral influenciaram diretamente em algumas segregações de relacionamento, principalmente as que se referem aos relacionamentos do mesmo sexo.. No Brasil, apenas em 1830, uma Lei Imperial aboliria o crime de sodomia, porém a aversão aos atos sexuais de pessoas do mesmo sexo prevê crimes de indecência. Códigos de noções de moral, decência pública e vadiagem eram usados na abordagem de pessoas que transgredissem as normas sexuais aprovadas socialmente (GREEN, 2000). Através do código penal de 1890, o preconceito se tornava indireto, promovendo a prisão daqueles que cometessem atos de atentado público ao pudor ou o travestimento (PEREIRA, 2015).
A procura pelas praias e locais desérticos e semidesertos se torna uma grande rotina GAY, além dos quartos de hotel, casas de amigos e festas particulares. O carnaval se torna então o momento do ano em que tudo é liberado, inclusive o ato sexual “pervertido”. Green (2000) se refere ao carnaval como os quatro dias do ano em que tudo é permitido, onde gays podiam expressar-se livremente. Durante esse período do ano se tornam abundantes os bailes dos travestis, onde homens vestidos de mulheres reinavam. “Nos anos 1950, o Baile das Bonecas, no Rio atraia um público internacional... que vinham assistir homens em plumas e paetês competirem à coroa de Deusas Glamorosas das celebrações carnavalescas” (GREEN, 2000). A busca pelo prazer associou-se de maneira costumeira à prostituição (PEREIRA, 2015) e “os espaços onde brilhavam as pantomímicas[2],... que no Rio de Janeiro ficavam no entorno do Largo do Rossio (atual Praça Tiradentes), mesmo antes de 1870, era identificado como espaço de circulação homoeróticas” (BRAGANÇA, 2019).
Esses espaços de socialização foram crescendo a e já entre os anos de 1920 e 1930 casos relacionados a condições não heteronormativas, o comportamento feminino e homossexual seriam considerados condições médicas. Os anos de 1960 trouxeram com o golpe militar uma ampliação dos fatores de perseguição, preconceito e punição a doença homossexual a partir da visão de uma comunidade cristã em defesa do capital... As forças policiais perseguiam travestis e fechavam pontos de prostituição e espaços de socialização em favor da moralidade e da higienização desses espaços. (PEREIRA, 2015). De acordo com Green (2000) o fator sexual foi menos importante nas perseguições políticas do que o posicionamento ideológico e político. Bares que mantiveram espaço para socialização gay iniciaram os shows de travestis, com apresentações de teatro.
A revolução de Stonewall em Nova York chegou na américa latina mas foi barrada nas fronteiras brasileiras pela repressão militar, impossibilitando a formação de um movimento gay nacional, porem criaram um florescimento de cenas culturais sexualmente expandidas nas grandes cidades (BRAGANÇA, 2019). Em meados dos anos de 1970, com o início do declínio do poder militar, grupos de militância se reorganizam. Estudantes, trabalhadores, mulheres e negros mobilizaram diversas ondas de oposição ao regime e auxiliando no processo de abertura gradual (GREEN, 2000). Os “Dzi Croquetes”, ocupam a cena carioca com apresentações andrógenas, usando barba e batom, implodindo os conceitos de papeis sexuais. Não se diziam engajados à causa gay, apenas defendiam a liberdade de expressão e mesmo sem uma apresentação teatral linear, tornaram-se um marco para a libertação gay seguinte (MORENO, 2001).
Empiricamente, insisto aqui em questionar os fatores religiosos frente as dificuldades de aceitação de diferentes identidades. “A censura moralista do governo militar limitava referências a homossexualidade na impressa... tornando a formação de um movimento político ‘gay’ no Brasil, impossível” (GREEN, 2000) e como já relacionado por Green (2000), a perseguição de gays por posicionamentos ideológicos superava à sua sexualidade. Enquanto gays atores apresentando espetáculos para gays, ou segundo Moreno (2001), “gays que entram em cartaz como mais uma peça gay que entra em cartaz. Peças de homossexuais, para homossexuais, com aquelas coisas que só homossexuais entendem”, termos que eram referências para o público, não afetassem o tradicionalismo heteronormativo cristão, não haeria problemas. Consideradas como “arena de lutas pelos direitos humanos” (MORENO, 2001), muito mais que uma boa peça de teatro. Relativo a isso, José Vicente de Paula (1945-2007), dramaturgo iniciante no final dos anos de 1960 teve seu espetáculo censurado, e apesar das citações moralistas de homossexualidade em cena, alguns trechos da peça nos levam a acreditar que muito mais fortes para a censura sexual foram os fatores de pragmatismo religioso:
“Num primeiro plano, como quer José Vicente, “Santidade” expõe a vida de michê com a devida mácula cristã. A prostituição masculina está aquém da retidão divina. Mas o autor transcende o tema. A peça também expia a noção de pecado segundo o peso da crença católica. Mais: avança para dentro mas de uma juventude vivida das relações humanas no que elas têm de superfície e essência.
Há 30 anos, quando o então presidente Costa e Silva censurou “Santidade”, em seu ataque de moralidade cívica, ele provavelmente se ateve a algumas frases de impacto que, não necessariamente, refletem o âmago da história. Por exemplo: “O Cristo morreu sufocado; a Igreja matou Cristo!” – é uma das sentenças espulmantes que saem da boca de Arthur, o personagem-vértice da peça. “Eu não acredito em santo sem esperma!”, continua. Mais: “O Deus da juventude está morto!”.” (SANTOS, Valmir. O Diário de Mogi. 1997)
O espetáculo “Santidade” se distancia deste trabalho quando narra um espetáculo feito para os palcos italianos tradicionais por atores indistintos de orientação ou identidade sexual, apesar de, para Tibaji (2017), que inicia seu texto dizendo que o teatro abriga, seja na vida real, seja entre seus profissionais, um refúgio para a diversidade sexual. Dicotomicamente se aproxima quando trata da cena homossexual, mesmo fora do “gueto gay” (PEREIRA, 2015), trazendo aos palcos uma realidade ficcional que tarja a vida de excluídos sociais devido as suas escolhas e declinações religiosas frente as suas orientações sexuais. O que mais reflete a presença marcante do preconceito religioso surge no fato de que em 1968 uma peça que narra
“...sobre um ex-seminarista, que, vivendo em São Paulo às custas do amante, recebe a visita do irmão que está para ordenar-se padre, colocando em xeque sua vocação religiosa. A montagem que teria direção de Fauzi Arap e produção da atriz Tônia Carrero, é censurada pelo marechal Costa e Silva em 1968, declarando em rede televisiva que aquele era "o exemplo de espetáculo que jamais seria encenado no país.” E logo no ano seguinte a estréia de José Vicente no teatro acontece em 1969, com a montagem de O Assalto pelo Teatro Ipanema, com direção de Fauzi Arap e atuação de Rubens Corrêa e Ivan de Albuquerque. A peça obtém sucesso imediato, projetando o nome de José Vicente na dramaturgia brasileira, ao lado de Leilah Assumpção, Isabel Câmara, Consuelo de Castro e Antônio Bivar. Esses autores, com linhagens diversificadas, devassam a intimidade de suas personagens, levando o conflito às últimas conseqüências. Temas como religião, homossexualidade e drogas são tratados com enfoque existencial e subjetivo, com diálogos que beiram o absurdo. O texto enfoca o problema da prostituição masculina em que o bancário Victor assedia moralmente o faxineiro Hugo após o expediente. José Vicente é agraciado como melhor autor de 1968, com os prêmios Molière, Golfinho de Ouro e Associação Paulista de Críticos Teatrais, APCT”. (Enciclopédia Itaú Cultural)
Outro autor que discorre sobre questões de identidade é Coelho Neto, que tem seu texto “O Patinho Torto”, que faz referências a travestis, censurado nos anos 1920, mas liberado em 1964 (TIBAJI, 2017) . Esse texto narra a história de uma moça de família que ao completar 18 anos descobre que é homem. Criado desde seu nascimento como menina e usando roupas de menina, ao se consultar com um médico lhe é revelado que ao nascer houve um erro em seu registro. Baseada em uma notícia de jornal, não faz referências religiosas a não ser que toda sua família é extremamente pudica e que a situação perturba a todos. A comicidade da peça não lhe trouxe prêmios nem elogios públicos de crítica. Nelson Rodrigues em sua literatura aborda o sexo em suas obras e vez ou outra adentra no universo LGBT, como nos textos “Album de Familia”, “Toda Nudez Será Castigada” e “O Beijo no Asfalto”, assim como Oswald de Andrade também cita esse universo em “O Rei da Vela”.
E desse tempo, assim como as tragédias gregas, muito há de se achar em gavetas escondidas, estantes empoeiradas de bibliotecas ou mesmo em cinzas não mais legíveis. O que realça a necessidade de se apresentar ao mundo as diversas identidades vistas por autores de identidades diversas. Tem-se aqui a necessidade que a arte e o conhecimento nos impõem. Deixar fluir o pensamento e o registro, seja visual, seja comportamental é uma necessidade que a criatividade regala ao artista. O teatro em seu aspecto mais profundo de criar reflexões, de ensinar, de ato político de resistência e de resignação em vários momentos assumiu seu papel nas mãos de autores e nos corpos de atores. As lutas pelas igualdades que se iniciam no Brasil com a diluição da ditadura dão créditos ao passado, vazão e visibilidade ao presente e esperanças ao futuro. Aqui começa a “primeira onda” (FACCHINI, 2003) de igualdades entre as identidades diversas e ao não binarismo sexual.


BIBLIOGRAFIA
FACCHINI, Regina. Movimento Homossexual no Brasil: Recompondo um histórico. São Paulo: Universidade Estadual de Campinas, 2003.
BOMFIM, Silvano Andrade do. “homossexualidade, direito e religião: da pena de morte à união estável. A criminalização da homofobia e seus reflexos na liberdade religiosa”.  Revista Brasileira de Direito Constitucional – RBDC n. 18 – jul./dez. 2011 retirado de http://www.esdc.com.br/RBDC/RBDC-18/RBDC-18-071-Artigo_Silvano_Andrade_do_Bomfim_(Homossexualidade_Direito_e_Religiao_da_Pena_de_Morte_a_Uniao_Estavel).pdf em 30 de maio de 2020.
ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL. “BIOGRAFIA: José Vicente de Paula”. Retirado de http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa359451/jose-vicente em 31 de maio de 2020
SANTOS, Valmir. TELEJORNAL Diário de Mogi. Retirado de https://teatrojornal.com.br/1997/11/santidade-transcende-culpa-crista/ em 31 de maio de 2020
GREEN, James N. “Mais amos e mais tesão: a construção de um movimento brasileiro de gays, lésbicas e travestis”. Cadernos Pagu. 2000
MORENO, Newton. “A máscara alegre: contribuições da cena gay para o teatro brasileiro”. III Congresso de Cultura e Homoerotismo: UFF. 2001
TIBAJI, Alberto. “Apontamentos e reflexões sobre as relações entre teatro no Brasil e diversidade cultural”. O eixo e a roda, Belo Horizonte, v.26: Universidade Federal de São João Del Rei, MG. 2017
FERREIRA, Rhanielly. “Fora do gueto: o processo de formação da 1ª onda do movimento gay no Brasil”. Emblemas – Revista da Unidade Acadêmica Especial de História e Ciências Sociais – V. 12: UFG\CAC. 2015
BRAGANÇA, Lucas. “Fragmentos da babadeira história drag brasileira”. Revista Eletrônica de Comum. Inf. Inov. Saúde: UFF. Niterói – RJ. 2019
BORTOLOZZI, Remom Matheus. “A arte transformista brasileira: rotas para uma genealogia decolonial”. Quaderms de Psicologia – V. 17, nº 3, pág 123 – 134: UERJ. RJ. 2015



[1] Homem ativo (que penetra) que tem relação sexual com homem passivo (que é penetrado).
[2] Tipo de performance de canto e de realização de pequenos papeis cômicos que envolviam a personificação feminina (BRAGANÇA, 2019)



terça-feira, 2 de junho de 2020

Aula 05 do Projeto Aulas de Teatro On-line



criação do Personagem, parte 1

ficha do personagem 1:

Estatísticas Vitais • Nome • Apelido • Razões para o nome (se houver alguma) • Idade • Gênero • Nacionalidade • Incapacidades (se houver alguma) • Usa óculos ou lentes de contato? Aparência Física • Altura • Constituição • Peso • Cor da pele • Cor do cabelo • Qualidade do cabelo • Estilo de cabelo usual • Cor dos olhos • Feições faciais • Traços característicos • Cicatrizes/marcas de nascença (se houver alguma) • Saúde geral • Estilo de vestimenta • Arrumação Infância • Local de nascimento • Estilo/ocupação/atitude dos cuidados do pai • Estilo/ocupação/atitude dos cuidados da mãe • Se não possui pais, por que isso? • Irmãos (se houver algum) • Relacionamento com os membros da família • Rixas na família (se houver alguma) • Situação financeira • Memória mais feliz • Traumas de infância • Eventos da infância que ainda o/a afetam Detalhes Biográficos • Educação • Histórico ocupacional • Sucessos/realizações • Fracassos • Obstáculos na vida (uma inabilidade ou cometimentos familiares) • Habilidades especiais (se houver alguma) • Dons/talentos • Histórico geográfico (moradia fora do país etc.) Vida Pessoal • Relacionamentos passados importantes • Casamentos/divórcios (se houver algum) • Orientação sexual • Por que os relacionamentos acabaram? • Qualquer tema recorrente • Convicções passadas (se houver alguma) • Hobbies • Comida/bebida favorita • Coisas que o/a assombram com frequencia • Filosofia de vida (despreocupado, cauteloso?) Por quê? • Religião (se possuir alguma) Situação Atual • Estado civil • Qualidade do casamento/sociedade • Questões no casamento/sociedade (infidelidades?) • Filhos/dependentes • Nome, idade, gênero das crianças/dependentes • Relacionamento com as crianças/dependentes • Ocupação • Ele/ela é feliz nessa ocupação? Se não, por quê? • O que ele/ela preferia estar fazendo? • Relacionamento com colegas de trabalho • Questões no trabalho (se houver alguma) • Situação financeira • Qualidade da vida em casa • Rotina diária típica • Tipo de carro que dirige Vida Secreta • Fobias • Qual é a pior coisa que poderia acontecer com ele/ela? • Qual é a melhor coisa que poderia acontecer com ele/ela? • Vícios (álcool, jogo etc.) • Detalhe pessoal do qual mais se envergonha • O que ele/ela mais gostaria de mudar em si mesmo/a? Por quê? • O que ele/ela mais quer da vida • Metas pessoais • Forças pessoais • Fraquezas pessoais • Transgreções sexuais (se houver alguma) • Compulsões (se houver alguma) • Obsessões (se houver alguma)

Ficha do Personagem 2;
Nome: _________________________________________________

Altura: ________
Idade na História: ________
Local de Nascimento: ______________________________________
 Cor, Comprimento e Estilo do Cabelo: _________________________
Raça/Nacionalidade: ______________________________________
Influências Regionais: _____________________________________
Sotaque (inclui voz, estilo da fala, gírias, frases ou palavras que são sua marca registrada): ____________________________________
Religião: ________________________________________________
Estado Civil: _____________________________________________
Cicatrizes ou outros atributos físicos notáveis: _______________________________________________________
Desvantagens (emocionais, mentais, físicas): _______________________________________________________
Atlético? Inativo? Saúde Geral? _______________________________________________________
Estilo de Roupa que Usa: _______________________________________________________
Cores Favoritas: __________________________________________
Como o personagem se sente sobre sua aparência? _______________________________________________________
Irmãos/Irmãs: _______________________________________________________
Relação com os pais: _______________________________________________________
Memórias da Infância: _______________________________________________________
Formação Educacional (astuto/manhoso/safo? Formal/educado? Ele/ela lê?): _______________________________________________________
Experiência Profissional: _______________________________________________________
Ocupação: ______________________________________________
Onde o personagem mora agora? Descreva sua casa (sua atmosfera física e emocional): _______________________________________________________ _______________________________________________________
Asseado ou Desarrumado? _______________________________________________________
Amigos e Amigas: _______________________________________________________ _______________________________________________________
Bichos de Estimação? _______________________________________________________
Inimigos? Por quê? _______________________________________________________ _______________________________________________________
Sua Natureza Básica: _______________________________________________________ _______________________________________________________
Traços de Personalidade (tímido, extrovertido, dominador, capacho, honesto, bondoso, tem senso de humor): _______________________________________________________ _______________________________________________________
Traço mais forte: _______________________________________________________
Traço mais fraco: _______________________________________________________
O que o personagem teme? _______________________________________________________
Do que o personagem se orgulha? _______________________________________________________
Do que o personagem se envergonha? _______________________________________________________
Visão da Vida (otimista, pessimista, cínico, idealista): _______________________________________________________
Ambições: _______________________________________________________
Visão sobre política: _______________________________________________________
Como o personagem se vê? _______________________________________________________ Como o personagem é visto pelos outros? _______________________________________________________
Você gosta desse personagem? Por que sim ou por que não? _______________________________________________________ _______________________________________________________
O público irá gostar ou desgostar dele? Porque... _______________________________________________________ _______________________________________________________
Coisa mais importante a saber sobre esse personagem: _______________________________________________________ _______________________________________________________
Problema Atual: _______________________________________________________
Como irá piorar: _______________________________________________________
Qual é o objetivo do personagem na história? _______________________________________________________
Que traços de personalidade irão ajudar ou atrapalhar o personagem a atingir seu objetivo? _______________________________________________________
O que faz o personagem diferir de personagens similares? _______________________________________________________
Por que público irá se lembrar vividamente desse personagem? ____________________________