Registros de atividades artísticas, culturais e educacionais.
Relatos de experiências em sala de aula, na coordenação escolar e na realização de projetos educativos e artísticos.
Em 2004 fui lecionar artes na UMEF "Vila Olímpica", em Soteco, Vila Velha. Passei no concurso da Prefeitura e me tornava professor efetivo, após tanto tempo como "DT". Iniciando meu processo de loucura contínuo-provisória, fui morar no bairro, bem ao lado da escola. Certo dia, assistindo a um filme ("Um Crime de Paixão" - Um ex-padre foragido e uma trupe de atores itinerantes se unem para desvendar um sinistro crime na Inglaterra da Idade Média, onde um garoto foi brutalmente assassinado. Ao ajudar a solucionar o mistério, o religioso encontrará a redenção e o perdão que tanto procura. - de 2002) e lendo Drácula de Bram Storker... porque naquela época não existia o facebook para perverter minha mente, na verdade em minha casa eu não tinha nem computador e internet só na casa dos meus pais... resolvi começar minha primeira dramaturgia. Queria escrever o espetáculo "Drácula". Comecei então a pesquisar sobre o tema. Li livros sobre vampiros, conheci um vampirólogo, aprendi a jogar RPG. Estudei os clãs cainitas, conheci a literatura de Anne Rice, Edgar Allan Poe, Alexandre Dumas, John Polidori, Lord Byron, Quiller-Couch, Alexei Tolstoi e alguns outros que descreviam contos e histórias fabulosas sobre vampiros. O filme em si não era sobre vampiro, nem sobre Drácula, mas a mistura da leitura me fez querer escrever algo que saísse da ficção e tivesse uma trama justificável no mundo natural. Escreveria um espetáculo sobre um ser mitológico sem mitologia. O roteiro seria sobre um clérigo esquizofrênico psicopata que mataria e culparia um monstro pelos crimes. Mas o lúdico e a literatura me corromperam. Resolvi dar uma justificativa para Drácula. Um ser humano normal que viveu e morreu, mas que magicamente ressuscita após conhecer descendentes dos clãs cainitas (em outro momento conto essa parte da história... que também daria um excelente espetáculo se eu concluísse essa linha... na verdade já tenho escrito [Lydia ou Elisabeta, grande amor do Conde Vlad Dracul era na verdade uma feiticeira milenar iniciada no clã tremere, que resolve tomar o poder e dominar o mundo, mas se entrega ao amor], mas precisa de um grupo grande de atores e eu não estou preparado para esse tipo de montagem).
Então escrevi o primeiro manuscrito do projeto. Fiz uma oficina de carpintaria dramática, outra de direção cênica e outra de dramaturgia. Comecei minha busca por um bom roteiro... Pesquisei roteiros e escaletas para entender como funcionava o ápice e a conclusão de um texto. Distribui personagens, criei falas e características para cada um deles... Mas não saía da primeira página da peça. Resolvi então montar o espetáculo, mesmo sem tê-lo escrito. Fiz teste de elenco, esperando que a pressão me estimulasse a escrever. Já havia pensado em toda a história e já sabia a frase final... Então, em uma noite (de 2005 já) com papel e caneta na mão eu simplesmente me contei o que seria o primeiro rascunho do texto. Registrei tudo enquanto tomava uma garrafa de "MARTINI"... Aqui eu tenho Drácula, Lydia, As três esposas de Drácula, Um padre, Louis (namorado de Lydia), 3 homens lagartos, ou seja... 10 personagens... E ainda escrevi cenas que precisavam da magia do vídeo para serem realizadas... Doce tentativa.
Reduzi, não lembro bem porque, a peça para uma esquete de quatro atores (2006) e aglutinei as falas, mexi um pouco na história... Ensaiei, mas nunca apresentei, porque os efeitos especiais ainda estavam me fazendo acreditar que eu faria cinema no teatro. Voltei então para o modelo original e tentei outro teste de elenco (2008). Foi perfeito. Tinha a quantidade de elenco que eu precisava. Todos apaixonados pelo lúdico e pelo tema. mas mesmo depois de muitas leituras eu não conseguia ver meus personagens aparecendo... Acredito que o defeito estava mais em mim do que nos atores... Acho que as loucuras dos personagens que me inspiraram ainda estavam nas minhas memórias. Então desisti... em 2011 o espetáculo foi contemplado com Lei de incentivo cultural... e finalmente eu poderia fazer o que queria, o que havia sonhado... construir os palcos elevados, com roldanas e camas elásticas, cabos de aço... figurinos estilo Broadway. Mas dos 90 mil orçados, tive apenas 25 mil... valor que pagaria apenas o palco... Mesmo assim, fiz teste de elenco, comecei os ensaios, reformulei o texto... Mas, os atores, apesar de todo empenho que tinham, não mostravam a loucura que eu queria. Tentei, troquei o elenco, reduzi os personagens... Não adiantava...
Então chegou 2015... o dinheiro do financiamento já havia acabado e eu acumulado tecidos, figurinos e recibos... Então Drácula surgiu dentro de mim... Um insano, maníaco depressivo que conta sobre crimes que não sabemos ao certo se foram cometidos ou se são apenas desejos ocultos... o texto é o mesmo, apenas adaptado... e parece que sempre havia sido escrito para um ator. As falas se encaixavam, a história possuía uma sequencia lógica... Dizer que é um texto claro seria mentira, pois é sobre um esquizofrênico, que muda de ideia, mas sempre volta ao seu roteiro principal... Os traumas e os motivos pelos quais comete os assassinatos, a briga com a igreja, a ideia do anticristo... A determinação de ser um novo deus.
Assim surgiu O Pesadelo, uma ideia vampiresca sobre um louco que referencia a Drácula pelo seu sanguinarismo, mas semelhante ao lunático Renfield que sonha em servir ao mestre. No caso ele quer ser superior ao próprio mestre (Deus). Com um texto de mais de 10 laudas, OPTM, é uma narrativa solitária, onde o personagem conta para si mesmo fatos de sua infância, adolescência e juventude que ele justifica ter influenciado suas atitudes assassinas, que são santificadas, segundo ele, pois foram feitas para libertação de almas pecadoras, a ponto de ele acreditar que salvou tantas almas que é possível ele se tornar o próprio Deus. Ele se justifica baseado em partes da Bíblia e até cria a ideia de que Cristo foi santificado por misticismo e que pelo mesmo misticismo ele também pode ser.
O cenário engloba a mente do personagem em um ambiente todo branco, com objetos cobertos por tecidos finos que os deixam parcialmente aparentes, com pouca iluminação, muita sombra e uma cortina de organza que fica entre a plateia e o palco, deixando público virtualmente de fora da mente do personagem. Durante o espetáculo ele escreve seus testamentos em um novo livro, construindo o que ele diz ser uma nova Lei mística para a redenção das almas. Ele provoca autoflagelação, cortando os pulsos referenciando a crucificação, comparando-se a Cristo enquanto se confirma como filho de Deus e usa seu sangue para um novo ritual de comunhão. O texto não encontra seu fim, pois se torna cíclico quando ele termina com a previsão de seu apocalipse e loucamente o reinicia, como se, para ele, aquela história fosse recontada todos os dias...
"O Pesadelo do Terceiro Milênio". O texto de Anderson Lima é um ensaio sobre a esquizofrenia com nuances de um terror vampiresco. Um ser "no sense" que em suas alucinações acredita que Deus o escolheu para ficar em seu lugar... Psicopata assassino e paranóico passeia por seus delírios regados de sangue e morte enquanto narra sua infância problemática e escreve um novo livro de Leis espirituais que ele chama de nova Bíblia baseada em suas teorias de certo e errado. As sombras que o perseguem e as vozes que ecoam em sua mente o direcionam em sua jornada de sublimação divina. O autor se apropria de trechos Santos e profanos em alguns momentos o que tornam a experiência da atuação mais tensa e marcante. A crença do personagem de que tudo que ele faz está autorizado por um Deus que ele "ilusiona" como material em feitiços e orações lunáticas criadas para a invocação de um "big bang" em seu interior, o faz aterrorizar enquanto clama pela atenção do público.
Serviço:
texto, atuação e direção de Anderson Lima
data: 23 e 24 de Janeiro de 2016
horário: 20 horas
Local: Rua Sete de Setembro, 529 - Centro de Artes Ulysses Cavaliéri
Produção: "JC Produções"
contato: José Celso Cavaliéri - 999 087 044
O texto de Anderson Lima é um ensaio sobre a esquizofrenia com nuances de um terror vampiresco. Um ser "nonsense" que em suas alucinações acredita que Deus o escolheu para ficar em seu lugar... Psicopata assassino e paranoico passeia por seus delírios regados de sangue e morte enquanto narra sua infância problemática e escreve um novo livro de Leis espirituais que ele chama de nova Bíblia baseada em suas teorias de certo e errado. As sombras que o perseguem e as vozes que ecoam em sua mente o direcionam em sua jornada de sublimação divina. O autor se apropria de trechos Santos e profanos em alguns momentos o que tornam a experiência da atuação mais tensa e marcante. A crença do personagem de que tudo que ele faz está autorizado por um Deus que ele "ilusiona" como material em feitiços e orações lunáticas criadas para a invocação de um "big bang" em seu interior, o faz aterrorizar enquanto clama pela atenção do público.
Serviço:
texto, atuação e direção de Anderson Lima
data: 23 e 24 de Janeiro de 2016
horário: 20 horas
Local: Rua Sete de Setembro, 529 - Centro de Artes Ulysses Cavaliéri
Produção: "JC Produções"
contato: José Celso Cavaliéri - 999 087
A “Cia Teatral JC” teve
início do grande desejo de fomentar as artes cênicas na Região Metropolitana da
Grande Vitória. Tem uma sede fixa situada na Rua 7 de Setembro em um espaço
alternativo para apresentações de teatro e música, onde grupos teatrais se
encontram para realizar seus ensaios e debates sobre cultura e arte. No local
também acontecem algumas oficinas de teatro e workshops para iniciantes e
profissionais que tem interesse de aprimorar seu conhecimento artístico.
FUNDADORES:
José Celso Cavaliéri
Formado
em Educação Artística pela UFES, ator, diretor e produtor teatral. Começou a
carreira desde a adolescência quando percebeu que o teatro já estava em suas
veias nos trabalhos realizados nas escolas. Atuou como professor de artes por
um tempo considerável nas redes públicas e particulares, sempre levando seus
alunos a construção do conhecimento artístico com muita criatividade. No início
dos anos 2000 conheceu o teatro profissional e desde então assumiu uma vida
voltada exclusivamente ao teatro, com produções, direções, dramaturgia.
Responsável por incluir no mercado cênico capixaba e de outros estados diversos
agentes artísticos e novos atores.
Anderson Lima
Formado
em Educação Artística pela UFES e estudante de Artes Cênicas pela UVV, ator,
diretor e produtor teatral. Durante a adolescência conheceu o meio artístico
participando de movimentos culturais em prol do fomento artístico na Capital no
final dos anos 1980. Participou dos primeiros movimentos de tomada cultural na
FAFI. Começou a lecionar como professor substituto e desde o início dos anos
2000 divide seu tempo entre a carreira de professor e agente cultural. Atuou,
dirigiu e escreveu diversos espetáculos e em 2005 começou um projeto de
formação artística no Município de Vila Velha. Hoje é responsável pela
coordenação de eventos no Teatro Municipal e realiza uma oficina de iniciação
em Teatro de Rua, sendo funcionário do quadro efetivo do Município.
ESPETÁCULOS
EM CARTAZ
ALADDIN
Texto e Direção: José
Celso Cavaliéri
Um menino de rua, órfão,
se apaixona pela princesa Jasmine, que está prometida em casamento para um
príncipe. Jafar, o vizir real o sequestra e o obriga a entrar em uma caverna em
busca de um tesouro perdido. Lá conhece o Gênio, um grande bobalhão com poderes
mágicos que lhe concede três desejos e um deles é conquistar o coração do amor
de sua vida. Grandes confusões, aventuras e muita diversão em um espetáculo que
envolve tanto as crianças quanto aos adultos
O PATINHO FEIO
Texto: José Celso
Cavaliéri
Direção: José Celso
Cavaliéri – 2010 / Anderson Lima – 2015 / JC e AL – 2016.
A
trágica história de Hans Christian Andersen de uma Pata que choca por engana um
ovo de cisne. Agora, durante a adolescência o pobre coitado tem que enfrentar
os irmãos que praticam bullying pela sua diferença. Durante a história, os
irmãos brincam e brigam, mas quando descobrem que a mãe, D. Pata está prestes a
arrumar um novo namorado, se unem para tirar satisfação e se intrometerem em
suas decisões. Um espetáculo com nuances de comédia e lições de vida, que
aborda temas atuais que agrada a crianças, pais e educadores.
A BELA QUASE ADORMECIDA
Texto e Direção: José
Celso Cavaliéri
Assistência de Direção:
Anderson Lima
O
romance de príncipes e princesas ganha uma nova versão quando diversos
personagens de outras histórias atravessam o destino da princesa Aurora, que
devido a confusão não está conseguindo dormir. A Fada Fauna e a Bruxa Malévola
tentam auxiliá-la na continuação da história e um príncipe muito atrapalhado
tem que tentar salvá-la de seu cruel destino, mas para isso precisará do
auxílio das crianças da plateia. Muita diversão e interação fazem parte deste
espetáculo feito especialmente para o público infantil, mas que agrada a todos
que o assistem, devido à proximidade das brincadeiras com o dia-a-dia do
público.
O PESADELO DO TERCEIRO
MILÊNIO
Texto, Direção e Atuação:
Anderson Lima
Um ensaio sobre a esquizofrenia com nuances de
um terror vampiresco. Um ser "no sense" que em suas alucinações
acredita que Deus o escolheu para ficar em seu lugar... Psicopata assassino e
paranóico passeia por seus delírios regados de sangue e morte enquanto narra
sua infância problemática e escreve um novo livro de Leis espirituais que ele
chama de nova Bíblia baseada em suas teorias de
certo e errado. As sombras que o perseguem e as vozes que ecoam em sua mente o
direcionam em sua jornada de sublimação divina. O autor se apropria de trechos
Santos e profanos em alguns momentos o que tornam a experiência da atuação mais
tensa e marcante. A crença do personagem de que tudo que ele faz está
autorizado por um Deus que ele "ilusiona" como material em feitiços e
orações lunáticas criadas para a invocação de um "big bang" em seu interior, o faz aterrorizar enquanto clama
pela atenção do público.
OS SETE PECADOS
Texto e Direção: José Celso Cavaliéri
Texto
criado a partir dos conhecimentos Cristãos da Igreja Católica, os personagens
desse espetáculo são os Sete Pecados abominados pela religião que tomam forma
humana e exemplificam suas vidas. A partir dos problemas que a sociedade
enfrenta diante de suas necessidades e de sua vida cotidiana o que os leva a
pecar, a atingir um nível considerado pecaminoso de cada um dos temas
discutidos nas aulas de catequese. Antagônico as virtudes do homem, os
personagens não instigam, mas faz o público refletir sobre suas ações diárias
que estão levando o Mundo como o conhecemos a seu fim apocalíptico.
E SE FOSSE VOCÊ?
Texto e Direção: José
Celso Cavaliéri
Uma
coletânea de esquetes sobre o cotidiano de pessoas comuns, que enfrentam seus
medos, desejos, e convivência com seu “eu” e o do “outro”. Diálogos que vão do
cômico ao trágico revelando histórias que aproximam o público de seu dia-a-dia,
instigando uma reflexões sobre atitudes e relacionamentos. O espetáculo se
encerra com um debate, onde os personagens questionam o público sobre suas
reações sobre as cenas, se as mesmas fossem com eles. Criando uma participação
muito interativo, onde o expectador pode refletir sobre seu cotidiano enquanto
se diverte e pode levar para casa um outro pensamento e reflexões sobre suas
ações.
REPÚBLICA, EM BUSCA DE UM
SONHO
Texto e Direção: José
Celso Cavaliéri
Jovens
do interior resolvem vir para a Capital para participar de um teste para
teatro. Resolvem então morar em uma república onde praticamente todos os
moradores tem o mesmo propósito: Ser Ator. O texto se desenvolve enquanto cada
um dos personagens revela seus dons e um antigo “morador da república” ensaia
com eles uma coreografia. O suspense toma conta do texto quando após os ensaios
os personagens tem mal estar, acreditando que alguém os está sabotando. A
empregada contratada para os afazeres domésticos do grupo, muito atrapalhada,
causa verdadeiros tumultos que fazem a peça tomar seu rumo cômico. Regado de
piadas e coreografias, o texto tende a arrancar muitas risadas da plateia.
PRISIONEIROS DO ACASO
Texto: Théo Simon
Direção: José Celso
Cavaliéri
Um
ensaio sobre a vida carcerária. Conflitos e problemas sofridos dentro de uma
instituição que deveria reabilitar pessoas que cometeram crimes contra a
sociedade, mas que passam por dificuldades e humilhações que envolvem o abuso
de poder, conspiração e aflições que nos fazem refletir sobre a forma que o
sistema age. O cenário é uma casa de passagem para menores infratores onde a lei
do mais forte prevalece. Cenas de demonstração de força, onde alguns mandam e
outros são obrigados a obedecer em uma pirâmide que envolve a formação de
grupos e facções relacionados principalmente a periculosidade e engenhosidade
dos crimes praticados enquanto ainda estavam em liberdade.
POR QUE EU?
Texto e Direção: José
Celso Cavaliéri
O
preconceito e as formas de racismo são discutidos nesse espetáculo enquanto
acusador e acusado são a mesma pessoa. A humilhação é tão frequente que os
personagens justificam suas ações baseados nos traumas adquiridos nos bullyings
sofridos pelos mesmos. Pequenos monólogos onde as histórias de suas vidas e de
seus problemas são contados intercalados por diálogos onde cada um, a sua
maneira, discrimina o outro. Negro, lésbica, idosa, usuário de drogas, morador
de rua, alcoólatra, deficiente físico e político debatem sobre as suas ações na
sociedade e o reflexo que elas causam. Seu cotidiano, seu passado e seu
pensamento sobre futuro leva o público a refletir sobre o tratamento que cada
um dedica ao próximo, seja ele íntimo ou um total desconhecido que possa
atravessar seu caminho.
SOCIEDADE SECRETA DAS
BIXXXAS
Texto e Direção: Anderson
Lima
Na
sociedade atual, em meio a tantos manifestos, passeatas, paradas e congressos,
o preconceito à orientação sexual está cada vez menor. Uma sociedade que há
séculos determinava os parâmetros da vida homossexual pode ser afetada e talvez
até desaparecer. Sua diretoria atual, formada por 5 pessoas de orientação
homoafetiva, decide modificar o estatuto da sociedade, criando novas normas
para a iniciação de novos membros. De vida social comum, suas profissões
diurnas não sustentam seus luxos e caprichos, obrigando a todos assumirem dois
empregos, sendo o noturno resultando na sua maior fonte de renda. Divididos
entre as tarefas de lecionar, tratar de idosos, vender churrasquinho na praia e
fazer shows de DragQueen, eles ainda precisam organizar os documentos e constituir
novas leis que irão nortear o futuro da humanidade homossexual em um apartamento
onde reina o excesso de cor e objetos decorativos. As cenas são divididas entre
diálogos, maquiagens e reprodução de shows de animação
REPERTÓRIO DE PRODUÇÕES ANTERIORES
SEXO, DROGAS E ROCK’N
ROLL
Texto e Direção: José
Celso Cavaliéri e Anderson Lima
Uma
comédia musical que fala sobre amores, desejos e conflitos de adolescentes nos
anos de 1950 que estão concluindo o ensino médio. As paixões secretas e os ídolos
inspiram os personagens em suas ações neste espetáculo onde as canções e as
coreografias emocionam o público saudoso e prendem o público jovem que está
ansioso pelo desfecho surpreendente da história. Os estereótipos da gordinha
engraçada, do palhação repetente, a patricinha burra e outros que formam um
grupo de amigos inseparável na escola, mas que após tantas confusões seguem seu
caminho realizando seus sonhos ou continuando sua vida conforme a sociedade
permite. Os atores cantam, dançam e interpretam um espetáculo cheio de signos
da “juventude transviada” dos anos dourados.
SENTIMENTOS
Texto: Théo Simon
Direção:
José Celso Cavaliéri
A vida, da infância ao
amadurecimento de uma criança com tendência homossexual que sofre as
discriminações e as dificuldades comuns a essas pessoas. Seus fracassos e
conquistas em uma sociedade predatória onde a ingenuidade e o medo definem seu
trajeto de vida. O personagem participa da sociedade escondendo sua resignação
sexual, o que o priva de uma vida plena tanto social quanto sentimental. A
presença de imagens místicas e seres mitológicos interferem nas ações do
personagem, que usa do lúdico para disfarçar os problemas adquiridos em sua
convivência. O abuso sexual, o bullying, os amores proibidos e os amores
pervertidos provocam o público a refletir sobre as necessidades de atenção que
determinados grupos tendem a buscar.
CARLOTA JOAQUINA... UMA
VÍRGULA
Texto e Direção: José
Celso Cavaliéri
A
chegada da Família Real ao Brasil foi tema de vários autores. Nesta versão nossa
imperatriz possui o deboche e a libido da conquistadora de nossa nação, porém
um incidente leva o espetáculo a caminhos cheios de suspense. O Rei é
envenenado e morre sem que descubram o assassino. A coroa envia peritos para
desvendar a trama, mas outros assassinatos acontecem enquanto a Rainha mãe
realiza seus desejos sexuais que envolvem desde os altos cargos da corte até
seus escravos. Um filho cheio de manias e uma filha viciada em comida conduzem
o texto à uma comédia hilariante, principalmente quando o fantasma do Rei
retorna para auxiliar nas investigações. Mesmo sem ser visto por nenhum dos
outros personagens, mas sentido pelo escravo preferido da rainha que se
apropria de rituais para tentar expulsá-lo, sem resultados, o rei tece suas
opiniões sobre os acontecimentos. Com vários finais alternativos que provocam o
público a assistirem o espetáculo mais de uma vez e sempre tentarem decifrar a
trama, que revela motivos para todos os personagens terem tirado a vida de seu
soberano.
ABRACADABRA
Adaptação e Direção: José
Celso Cavaliéri
Baseado no cult homônimo,
a trama feita para pessoas de todas as idades conta a história de três irmãs,
bruxas, que após serem ressuscitadas por descuido, tentam sugar a vida das
crianças da cidade para possuírem vida eterna. Música, dança, diversão e muita
magia envolvem a fábula onde um grupo de crianças tenta livrar o mundo do mal
que as bruxas podem fazer, auxiliados por um gato falante, fruto de uma
maldição realizada pela irmã bruxa mais velha em um jovem. Para fazer a poção
que suga a vida das crianças as bruxas precisam de um livro que foi levado
pelas crianças e elas só tem uma noite antes que o feitiço que as trouxe de
volta à vida acabe.
DA RUA PARA O PALCO
Texto: Franchesco Rangel
Direção: José Celso
Cavaliéri
Coreografias:
Franchesco Rangel e Lalau Martins
A narrativa da história
do Hip Hop é feita quando um grupo de jovens realiza coreografias que mostram
sua evolução. Um conto cheio de movimentos artísticos, ritmos animados, muita
música e dança animam a plateia em um show de luz e imagens vivas. A presença
da luz e das sombras de uma iluminação provocante ampliam os gestos dos
dançarinos que com graça e sequência cronológica, fazem da evolução de um
estilo musical um grande espetáculo.
REPÚBLICA DE GAROTOS
Texto e Direção: José
Celso Cavaliéri
Cinco
rapazes, com estilos diferentes, vontades, sonhos e caminhos que apenas se
cruzaram porque, vindo do interior decidiram morar juntos em uma república. As
intimidades e as ações de cada um, compartilhadas com o público que vai se
divertir muito assistindo a uma comédia onde a linguagem masculina predomina.
Quem arruma, quem cozinha, quem lava são determinadas por quem tem mais tempo
livre ou mais dinheiro. E depois cada um segue seu rumo, seja profissional ou
pessoal deixando para trás apenas as lembranças de uma amizade que ficará em
suas memórias para sempre.
02 de dezembro... O mês se inicia em um ano que está prestes a acabar... 2015 foi regado de sentimentos de perda para brasileiros de diversas regiões. As notícias de corrupção, as novas pragas e doenças, os desastres ambientais. O desapego pela arte e pela cultura. Mas terminamos o ano com boas novas... O Teatro Municipal de nossa cidade, único prédio para apresentarmos nossa arte está sendo reformado, depois de mais de três anos de espera ansiosa. A Secretaria de Cultura reabre com uma nova roupagem as oficinas de teatro, e agora privilegiando o Teatro de Rua. As inscrições foram feitas pelo site da prefeitura e a procura fez jus ao desejo da população de cursos na área artística e cultural.
Neste segundo dia de aula o grupo de alunos foi naturalmente selecionado, ficando aqueles que se mostraram mais dispostos ao trabalho e as atividades culturais. Tivemos algumas perdas e algumas pessoas que não poderiam apenas neste dia. Começamos com uma revisão rápida da aula anterior, para uma melhor fixação de conteúdos e uma lembrança do que foi pontuado. Depois fomos direto para a Praça da Prainha.
Movimentação de palco: Pensando que estamos na rua, talvez se pense que não temos marcação... O que dependendo do que se pretende, assim como no palco, as marcas tem que estar bem treinadas e ensaiadas. O transitar de um lado a outro, o caminhar pelo ambiente, que na caso da rua é muito mais mutável que o do palco, ou suscetível a mutação. O processo foi complexo. Idades diferentes, desenvoltura motora variada de acordo com a consciência corporal, experiências e práticas de cada um. Distribui a turma em quatro grupos. Treinamos marcha, compasso, interação, marcação, intenção de cena, tudo isso enquanto caminhávamos cantando a marchinha e cirandas de roda.
Mas, para isso acontecer, construímos a marcação usando o sistema Beta de composição musical. O sistema Beta consiste em composição auxiliado por computador, mas seu entendimento é manual... Cada som emitido é acompanhado por uma palma de mãos. Treinamos a coordenação motora, batendo palmas, cantando e marchando... A Marcha fica tão fixa na mente que depois fica até difícil largá-la. O mais divertido nesse aprendizado é que ele se trata de uma compreensão simples, de um sistema binário, onde apenas som e silêncio são essenciais. O compasso é marcado pelo som tônico, que usamos também para marcar a caminhada. Os ritmos apenas nos auxiliaram a criar gestos corporais e velocidades na marcha. Somente após termos o corpo viciado no compasso que passamos a introduzir o texto... No caso, tivemos como auxílio o Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Moraes.
Primeiro o texto foi recitado, depois decupado... A fixação do texto feita por repetição... Cada estrofe ou frase sendo repetida por cada aluno até que todos recitaram o texto completo. Depois, cada dupla escolheu uma frase da composição e criou uma forma criativa de recitá-la. Montamos um círculo, com uma marcha constante, marcada por palmas de uma canção simbólica e mental, onde com o tempo se tornou coletiva, mesmo que não se conhecesse um a música do outro. Apenas pelo acompanhamento das palmas todos se tronaram uníssonos.
Soneto Da Fidelidade - Vinicius de Moraes
De tudo, ao meu amor serei atento antes... E com tal zelo, e sempre e tanto... Que mesmo em face do maior encanto, dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento e em seu louvor hei de espalhar meu canto, rir meu riso ou derramar meu pranto... Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure, quem sabe a morte, angústia de quem vive, quem sabe a solidão, fim de quem ama... Eu possa me dizer do amor, que tive: que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure!
A partir daí começamos a pensar em como nosso sentimento poderia ser demonstrado, ou externado, como diria Stanislavski, para criar uma verdade teatral. Foi a partir daí que começaram os problemas...
Quando se interpreta um texto, percebemos todos os vícios que nos acostumamos desde crianças, que são ensinadas a ler texto com uma falsa interpretação de que se deve apenas saber o que dizem as palavras, seu significado, independente de seu sentido. Forte isso, mas é o mais próximo da verdade que quero expressar. Quando lemos "casa" em um poema, devemos entender o sentido dessa "casa", não apenas que o autor imprimiu, mas também qual a sensação que ela nos propõe. Essa sensação tal que se transforma em sentimento e que cria uma onda pelo nosso corpo vindo do interior até chegar nas extremidades... Então chega a parte difícil, que é expulsá-la... Demonstrá-la, EXTERNÁ-LA!!!
Descartei as possibilidades de conhecimento holístico e tentei construir um processo de conhecimento de partes, independentes... Foi uma experiência agradável e testarei para garantir um resultado positivo, ou apenas para saber se funciona ou não. Primeiro lemos, depois treinamos sentimentos¹, depois juntamos os dois para ver no que dava...
¹ - quando digo treinar sentimentos, me refiro as técnicas de memória emotiva relativas ao método de interpretação proposto por Stanislavski, que em ocasião futura podemos discutir aqui também...
Uma das questões foi que, o sentimento criado, ou percebido através do resgate da memória escolhida, tornou-se até forte e externável para aquele fato, mas agrupá-lo ao texto do soneto só ficou perceptível naqueles que já possuíam um grau mais avançado de intimidade com as artes dramáticas... ou naqueles que já nasceram com o "dom". Volto, assim, a uma questão discutível. A que todos podem fazer arte. É retórica e não pretendo aqui contestar opiniões, mas elucidar minha ideia de que podemos usar a arte psico diversão, distração ou até tratamento lógico, mas como profissão há de se entender que devemos nos dedicar. Para aqueles que não tem predisposição para tal profissão, que se divirtam, construam novos conhecimentos... Mas para os que nascem com "alma de artista"... Aproveitem para ser exaltados na perfeição dos resultados.
Essa foi apenas uma segunda aula expositiva e prática sobre questões de conhecimentos simples, que qualquer um pode participar... Mas é um grande início para aqueles que querem realmente seguir a profissão. Perceber o quanto são bons, perante muitos que, apesar do conhecimento, das tentativas, nasceram para serem administradores, médicos ou engenheiros. Tenho elogios à todos, pois o empenho era perceptível. As tentativas, mesmo que falhas me levam a pensar no que falta para que a "pessoas comuns" (não atores) entendam a diferença entre interpretar e representar. Tornar o ato real e o teatro vivo. Externar através de ações o que meras palavras não dizem sozinhas... Ou conseguir apenas com palavras mostrar o que depende de ações. Ainda quero descobrir como a mágica funciona, pois alguns conseguem com tanta facilidade e outros simplesmente não conseguem... Se desvincular da força da palavra, daquele conteúdo conquistado no ensino fundamental e médio e as vezes até do acadêmico.
"Quero vivê-lo em cada vão momento" é uma frase que diz muito, falando pouco... E como mostrar tudo que ela diz apenas falando. E como não falseá-la com gestos ou intonações na voz que a deixam poética, mas pouco expressiva. Como externar o sentimento que ela nos proporciona? E na verdade, que sentimento ela nos proporciona? E se ela não traz nenhuma ação dramática, o que fazer com ela? Descartá-la? Mas quando não podemos descartar, o que fazemos para que a frase ou a palavra seja externável? Foi uma tarefa deixada para a próxima aula... Ler o poema como se estivéssemos acabando de escrever. Como se ele fosse nosso pensamento do momento. Devemos construir todo um contexto externo que complete aquele pensamento, do qual nos apropriamos... Criar um personagem que pense sobre aquilo, que esteja vivendo aquilo que estamos falando...
colocar isso em palavras se torna fácil, difícil é aplicar. Criar um diálogo invisível, fala interna para uns, memória emotiva para outros, ou apenas uma repetição de falsificações de sentimentos (falamos de várias formas até encontrarmos uma que se encaixe legal). Proporcionar essa relação de intimidade com o texto, o contexto e a ação praticada pode auxiliar na representação da história. Devemos pensar em porque estamos falando aquilo, para que estamos falando, com quem, em que ocasião, situação, local... Vários são os fatores que devem ser considerados para que a representação torne a circunstância criada se torne real.
Entrando neste assunto, penso na alternativa da tentativa do uso das falsas verdades. Frase bonita para definir a mentira. Tentamos pensar nas vezes que contamos alguma mentira que deveria ser considerada verdade. Nosso cérebro vive nos contando mentiras, quando completa as lacunas da memória de alguns fatos que nos recordamos. Esse movimento de construção de imagens para completar nossa memória pode servir de exemplo prático e praticável para desenvolver técnicas de representação. Outro truque, que pode ser um trampolim para a grande mágica é o da repetição por imitação... Tentar imitar a forma de agir, se movimentar ou falar de outro ajuda a desenvolver um pouco outras técnicas de representação. O lance é não esquecer do sentido do texto proposto e interpretado. Saber o que se quer dizer e para quem se quer falar ainda deve ser um objetivo da representação.
Ficou como dever de casa a escolha de um poema, pelo menos uma estrofe que tenha algum sentido ou que traga alguma recordação para o aluno/ator e como prática criativa cada um deve decorar o próprio bastão que estamos usando como "muleta" (objeto cênico que serve para nos ajudar na ação dramática) nas aulas. Ficou acertado também que todos deveria, trazer maquiagem...
Estudar teatro é uma tarefa árdua, que muitos querem, mas poucos são capazes. Arte e cultura é para todos, assistirem, participarem, vislumbrarem... Mas será que até quem não é artista pode fazer "Arte"? Esse "dom" foi distribuído a todos sem distinção? Quando Paolo Mantegaza diz que "A escola pode aperfeiçoar o artista; criá-lo, nunca...", ele não está apenas falando de produções, mas do próprio produtor, do artista, que já nasce assim. Antes mesmo de se definir um engenheiro, médico, técnico em algo, esse ser já é artista. E posso dizer que aquele que tem a alma para a arte será um grande artista, mas poderá ser o melhor em qualquer outra profissão que escolher a se dedicar.
Sua produção não é apenas a expressão de seu sentimento, é uma ansiosa vontade de criar para o mundo "normal" uma crítica pensante, uma distração pulsante ou apenas uma simples beleza que despertará o sentimento de outros além de si. Andy Warhol disse que "o artista é alguém que produz coisas que as pessoas não tem necessidade, mas ele por alguma razão, pensa que seria uma boa ideia dá-las a elas". Mas acredito que todos tem necessidade de ouvir, ver, sentir a beleza da arte. Em um mundo onde a sobrevivência é a meta do homem, momentos de apreciação artística podem alimentar a alma e aliviar a tensão dos dias. As pessoas tem sim, necessidade de um produto cultural ou artístico. Prova disso foi a grande procura pelas inscrições na oficina de teatro de Rua oferecido pela Secretaria de Cultura de Vila Velha. Um projeto de cursos em artes cênicas que eu criei desde 2004 e que voltou as atividades a partir da iniciativa do Secretário de Cultura Andinho Almeida. Foram quase 70 inscrições em três dias de divulgação apenas no site da prefeitura.
A oficina consiste em quatro aulas de quatro horas cada, onde serão desenvolvidos recursos necessários para criação de uma apresentação em espaço aberto, ou alternativo. Não pretendo aqui profissionalizar atores de teatro de rua, e sim aguçar o sonho e o desejo daqueles que pretendem se envolver com as artes.
A primeira aula foi nada mais que impressionante. Os alunos inscritos estavam com sede de conhecimento. Foram as quatro horas mais rápidas que muitos tiveram. Passou o tempo e o aprendizado foi compensador. Começamos com uma pequena explanação dos conteúdos que seriam desenvolvidos durante as aulas. A história do teatro sempre foi um tema que me envolve. Levantar as questões dos motivos pelos quais os homens começaram a representar é instigador e construir esse pensamento junto a pesquisadores iniciantes nas artes cênicas nos auxilia a construir novas ideias. Descrevi de maneira rápida as diferentes escolas dramáticas que listei desde as competições gregas das tragédias e das comédias, do teatro romano com suas construções suntuosas e seu declínio devido as condições políticas e econômicas desfavoráveis, dando ascensão ao teatro cristão católico que se estendeu até o renascimento com o aparecimento prévio das trupes mambembes, do teatro elisabetano e da Commédia Dell'Art. Discutimos sobre o carnaval no Brasil que é um grande espetáculo de Rua.
Conversamos sobre o Teatro de cordel apresentados em ruas e praças do nordeste e do teatro de Amir Haddad: https://www.youtube.com/watch?v=BhojcpjIzsw . Toda conversa foi bem rápida, apenas para aguçar ainda mais a vontade de aprender sobre o tema. Não fizemos um estudo detalhado sobre a história do teatro, apenas tentei listar sua importância para a sociedade. E surge uma questão que está presente em minhas aulas e minhas pesquisas. Deve-se promover a cultura a partir dos recursos públicos? Retórica. Não acredito no desenvolvimento de uma sociedade sem conhecimento de sua cultura. Isso é apenas uma questão de educação? De sala de aula? De referências passadas em salas de aula? Desenvolver o ato cultural, o senso artístico crítico e criativo, alimentar a mente e a alma com conhecimento filosófico, cultural, teatral. Não consigo ver um trabalho artístico "desintencional", mesmo que essa intenção seja alegrar aos olhos, distrair, divertir, questionar, educar, construir conhecimentos, informar,... Ufa... Existem mais funções para o teatro que apenas teatro. Então começamos pela diversão. Imagens que agradem aos olhos. Isso se inicia pelo visual da obra, cenários, figurinos, adereços. Os figurinos que estão sendo desenvolvidos são uma releitura das obras criadas por Hélio Oiticica no final dos anos de 1960. Os "parangolés" ganham formato de vestimenta base do figurino dos atores de rua que começam a nascer na vontade de cada aluno do curso. Transformados em peças para o teatro de rua, pensamos em confeccionar camisas e adereços cobertos com tiras de tecidos que criarão movimento a partir dos gestos que os atores farão em suas representações.
Depois de desenvolvermos a ideia dos figurinos, começamos a pensar nas relações que o teatro de rua tem com a música e de como isso pode chamar a atenção para o trabalho. Sentimos uma enorme necessidade de fazer barulho, sons musicais para acompanhar nosso cortejo. Uma das sugestões foi a "Casaca", instrumento que acompanha as bandas de congo capixabas, feitas de madeira e bambu emitem sons variados de acordo com seu tamanho e seu material básico.
Também incluímos os agogôs, afoxés, chocalhos, pandeiros e tambores. Instrumentos de percussão que acompanham bem a ideia principal da música escolhida para nosso novo grupo. Uma marchinha, escrita originalmente por "Marcílio Dias" para o grupo teatral das oficinas e que foi adaptada para essa nova gestão administrativa. A marchinha, que nos transporta para apresentações de blocos de carnaval será intercalada por leituras de poemas e apresentações de esquetes que serão adaptadas para apresentações nas ruas.
O trabalho circense, como acrobacias e malabarismos também acompanha o que pensamos para uma apresentação dinâmica na ruas. Brincamos então com movimentos dos "swing's poi's", que consiste em um pesinho preso à uma corda com fitas amarradas que quando com movimentos certos criam imagens em movimento que chamam a atenção do público pela beleza da mistura de cores e dos desenhos elípticos e circulares que são criados.
Depois de todas essas discussões e debates, fomos para a prática. Saímos de nosso local de conforto e fomos para a Praça da Prainha. Para a grama debaixo da castanheira e começamos a jogar. Primeiro fizemos uma aquecimento corporal, com alongamento e caminhadas, ocupando espaços desenhados para simular presença de público. Os alongamentos foram simples, de pernas, braços, coluna... E os exercícios realizados foram utilizados para, que em grupos, eles criassem uma sequência coreográfica realizável pelo grupo. Para desacelerar fizemos um jogo de iniciativa, desinibição e trabalho em equipe, que consistiu em após formar um círculo, todos andavam de forma desordenada se aproximando do centro do espaço até que todos se misturassem. Deram então novamente as mãos, na mesma ordem que estavam na posição do círculo e sem soltá-las, deveriam desfazer o "nó" criado.
Para finalizar a aula fizemos um trabalho de aquecimento vocal e aprendemos a cantar a marchinha do grupo.
"Eu sou de Vila Velha onde se projeta... A Felicidade! Minha Terra entra em cena e contracena... com a realidade!
Nessa luta sou mocinho, sou vilão e sou palhaço. Sou rei, sou escravo, sou mau e sou bom...
Teatro com cheiro e gosto de bombom!" O ritmo segue o playback do vídeo postado acima.
AULA DADA NO DIA 25 DE NOVEMBRO DE 2015 NO PARQUE DA PRAINHA - VILA VELHA PELO ATOR, DIRETOR E PROFESSOR DE TEATRO ANDERSON LIMA.
A Prefeitura de Vila Velha, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, vai oferecer 50 vagas para uma oficina de teatro de rua. As aulas acontecem a partir de 25 de novembro e serão realizadas na Casa da Memória, todas as quartas-feiras, das 14 às 18 horas. Para participar, o interessado deve preencher a ficha de inscrição e enviar para o e-mail andersonlima@vilavelha.es.gov.br até o dia 20 de novembro. O curso é gratuito e aberto para todas as idades.
Ministrada por Anderson Lima, que é ator, produtor e diretor de teatro, a oficina terá cinco encontros, em que Anderson vai administrar aulas de iniciação à prática teatral, técnicas de teatro de rua, treino de malabares, maquiagem artística, técnicas de voz, interpretação e construção de figurino, além de um breve histórico sobre o teatro de rua e suas vertentes.
Para o subsecretário de Cultura, Leonardo Monjardim, o curso vai dar inicio a um novo ciclo artístico em Vila Velha. “O objetivo é estimular a formação de novos artistas em nosso município. Quando a abertura do Teatro Municipal for consolidada, vamos desenvolver diversas outras oficinas culturais em parceria com universidades e Sindicato de Artistas de Teatro do Espírito Santo”, afirma.
Ao final do curso, entre os dias 19 e 20 de dezembro, o grupo será preparado para um cortejo artístico do Parque da Prainha até a Praça Duque de Caxias, no Centro de Vila Velha.
Oficina de Teatro de Rua Inscrições até 20 de novembro
Local: Casa da Memória – Parque da Prainha Aulas: 25 de novembro, 02, 09, 16 e 19 de dezembro Horário: das 14 às 18 horas Certificado de Oficina com Carga Horária de 20 horas contato: Anderson Lima – 9 9911 2531 andersonlima@vilavelha.es.gov.br
Ficha de Inscrião: http://www.vilavelha.es.gov.br/midia/paginas/FICHA%20DE%20INSCRICAO.docx
OBS.: o texto a seguir foi base, no processo sofreu algumas modificações, que não interferem na história.
ANDERSON
Hoje sonhei com
meus pais... Eles estavam vestidos de branco em um círculo com outras pessoas
vestidas de branco. Eu era apenas um bebê no colo da minha mãe, e aquele homem
eu acho que era meu pai. Tenho poucas lembranças deles... Lembro o dia em que
sacrificávamos um cordeiro, mas eu não via os seus rostos. Sempre que sonho com
eles estão de máscaras... Eu só me lembro das máscaras. Eram como animais. A
última vez que eu o vi, meu pai, ele tentou me violentar, mais uma vez...
Sodomita miserável... Cortei o braço dele com meu punhal. Ele saiu de cima de
mim e disse que ia me vender para o primeiro comerciante que passasse, para ser
a mulherzinha dele. Prefiro dar a bunda para um estranho do que servir aos
agrados daquele porco. Por isso coloquei fogo na palha enquanto ele dormia...
Tinha medo dele me colocar no caldeirão enquanto eu dormia. Minha mãe ficou
fraca, sofrendo de uma febre que não tinha fim... Não foi por piedade, eu
queria ver como é a vida saindo do corpo de uma pessoa. Todos os dias os homens
da vila vinha em minha casa, era sempre um grupo diferente e eu me deitei com todos
os homens da vila. Os velhos por dinheiro, os mais novos por prazer... Era a
única forma de ter comida no fogo. Pendurei ela pelas pernas e cortei seus
pulsos. Deixei o sangue escorrer e a vida sair de seu corpo junto com o sangue
enquanto dois jovens descarregavam a tensão do trabalho em mim... Eles me
chamavam de pederasta, mas na primeira oportunidade deitavam na minha cama, no
chão, na palha... nos becos... Onde tivesse lugar... Me concentrei em ver minha
mãe morrendo, mas tinha vontade de matar aqueles dois. Eles falavam que aquele
era o verdadeiro fim de uma prostituta... Chamaram minha mãe de prostituta.
Apesar de nossa vida, foi ela que me ensinou muito do que sei e ninguém tem o direito
de chama-la de prostituta. Bebi o sangue dos dois. Enquanto a prostituta da
minha mãe morria eu matava. Senti-me como um animal... Que estava saciando sua
fome. Vivi no mato comendo raízes e folhas. Aprendi com os animais selvagens a
andar, voar e me rastejar. Por isso estou aqui... Estou aqui para dividir meu
poder e multiplica-lo. Eu entrego meu espírito à chama e recebo dela a
imortalidade.
Você... você quer
fazer parte da ordem também?... Nesse momento somos um. Faremos desse nosso
pacto. Viveremos eternamente como seres da noite. Nosso poder será canalizado.
O sangue dos antigos está em nosso poder e estará em nossas veias. Evoluiremos
nossa espécie e seremos superiores a tudo e a todos. Que se juntem a mim
aqueles que querem vencer, mas saibam que eu vencerei mesmo que sozinho.
Minha magia evoca espíritos, com minha passagem os
espíritos estarão livres.
Mas eu os
aprisionarei em um oráculo. Serão obrigados a me obedecer pela eternidade...
Nada é eterno!
Nem tudo é
finito.
Não deixarei de
ser bruxo, serei igual ao mestre. Serei o guerreiro que reinará o mundo. Serei
igual ao que foi impiedoso em vida, e serei sanguinário em morte. Hoje, só um
insano, depois de iniciado serei um deus. Dominarei a raça humana...
DERRAMA
O QUE ESTAVA PREPARANDO SOBRE A CABEÇA...
A espera me
paralisa. Estou sedento e não posso mais controlar a besta que há dentro de
mim. Sinto cheiro de vida vindo em minha direção e desejo toma-la para mim. Sou
pior a cada dia, meu tempo não tem fim. O medo não está com minha vítima. Sinto
que ele se parece comigo, que seu passado, apesar de curto em relação a minha
idade, foi tão duro quanto o meu. Posso ser a destruição de sua vida miserável,
mas serei o marco de sua história de eternidade. Não matarei desta vez, o farei
senhor das sombras. Com o beijo da morte trarei para meus braços meu fiel
amante. Seremos carne e sangue. O que quero vem a meu encontro, caminha pela
escuridão da noite a procura da estase surreal que apenas eu posso dar. Sua
gratidão pelo presente que darei será a servidão e sua recompensa será a
eternidade aos meus pés. De seu sangue sinto o cheiro do ópio desses dias que
aterroriza sua mente. Vejo que minha vítima sofreu as desgraças da vida, passou
pela tortura do mundo e continua puro de alma. Isso alimenta cada vez mais a
minha fome. Ele me provoca a trazê-lo para o mundo da escuridão eterna. Está
com medo e mesmo assim tem coragem de entrar nos becos a procura de satisfação
para a carne. Serei o seu prazer hoje, enquanto ele me alimenta, inundarei sua
mente com os mais belos devaneios. Devorarei sua alma e o tornarei meu eterno
servidor. Meu escravo.
Já tive a
esperança da existência de Deus, mas nunca concebi a ideia do demônio. Até tentei
devotar minha vida à igreja, pois esse era o desígnio de minha existência. Não
entendo o porquê das coisas, mas não tenho mais a libertação de minha alma. Sei
que há um caminho que tenho que seguir e que estou sendo guiado. Se Deus existe
mesmo, tudo que fiz foi da vontade de Dele, eu fui instrumento, então não me
arrependo. Farei conforme fui instruído toda minha vida. Encontrarei o demônio
e assumirei o domínio da casa de Deus. Serei o novo Deus porque esse é meu
destino, mesmo que o destino do ser humano seja chegar ao fim como recompensa
de meus atos. Também serei julgado e condenado se assim for preciso. Mas terei
feito tudo conforme está escrito no livro da vida. (abre um grande livro)
“Sim o
aroma. O sabor suculento. Seu peso e consistência. Imagino as chamas frias do
elixir cascatearem pela minha garganta, nutrindo-me. Mas estou ressequido e
debilitado. Um tronco seco. Minha necessidade cresce a cada passo doloroso que
dou. Breve, Precisarei de sangue.
O ruído
ritmado de passos batendo na calçada me acorda. Movo-me para a escuridão do
beco. A cadência me enlouquece. A fonte esta próxima. Ali... Ahhh, Um cheiro de
perfume agradável. O odor da tensão nervosa. A fragrância do sangue pulsante.
Quase posso sentir o doce néctar. A luz pálida de um poste banha a minha
vítima. Passa as mãos em seus cabelos molhados, por uma fina garoa que cai
suavemente; uma beleza que apenas eu posso apreciar. Seus olhos ansiosos correm
de canto em canto, procurando divisar algo que possa surpreendê-lo. Ele passa
por mim, olhando rapidamente para o beco. Atrás da promiscuidade que a noite
revela aos excluídos. Surjo das sombras. Ao alcance das minhas mãos, posso
ouvir seu coração batendo. Tornei-me morte, um destruidor de almas.”
Não sei, esses
pensamentos ficam na minha cabeça. Não consigo pensar em outra coisa. Minha
mente está tão confusa. Não consigo saber como fui parar neste lugar! Mas fico
grata a vocês por estarem aqui tentando me ajudar...
Mas vocês me
causam mal estar... O mestre está mais próximo que vocês pensam... Eu vou usar
ele para completar meu feitiço... Eu vou me tornar ele... Drácula? Não... Eu vou me
tronar Deus!!!
Falar de amor é
estranho, eu conheci vocês hoje e sinto que eu amo vocês... Que vocês podem me
salvar... Mas sou eu que vou salvar vocês... Desse mundo irreal que vocês
vivem. To tentando lembrar... Mas não consigo. Tenho sentimentos que não sei
definir. Não me falta nada, não tenho problema, mas estou com algo que está me fazendo
sentir pressão. Não sei o que fazer... Como se fosse uma obrigação eu estar
aqui com vocês, e vocês sabem que isso não é verdade, sabem que eu amo vocês desde
o momento em que abri os olhos aqui e os vi.
Você tem dúvidas?
Vocês lembram de todas as vezes que amaram no momento em que viram alguma
coisa? Não ter lembranças é pior do que lembrar de algo que se perdeu.
Eu queria saber
porque que Deus não me responde? Na verdade, eu sei... Porque quem cala
consente... Então tá tudo certo...
Esta noite será o
início de tudo. A alma humana é um meio para minha finalidade... Finalmente tudo
que eu planejei... Tá aqui em algum lugar... (procura a urna mortuária). Esta é
a noite. Quando ele acordar em mi tudo será perfeito. Esperei tanto tempo por
este dia. Nosso corpo será mais forte com esse feitiço. Te procurei por cinco
séculos e esse é um momento bem apropriado. E agora, depois de tantos anos,
finalmente serei um líder forte que será eterno. O mais forte de todos... Serei Drácula?... Não... Serei Deus!
Após tanta
história, finalmente o mundo irá conhecer seu verdadeiro mestre. Meu rebanho
será adestrado para sempre servir as minhas ordens. Se vocês não tivessem demorado
tanto tempo! (procura o pergaminho) Aqui está o antigo pergaminho. Nele há o
feitiço mais cobiçado por todos os líderes e guerreiros. E apenas eu conseguiu
decifrá-lo. A partir de hoje, todas as lendas se tornarão realidade e o mundo
moderno recairá sob meus pés. SAÇROF SAD SAVERT E AD OADIRUCSE ANRETE, EUQ OLEP
EUGNAS SOD SOGITNA ES AÇAF ADIV E SANEPA ODNAMARRED O OIRPORP EUGNAS ERTNOCNE A
ADNUGES ETROM.
Força das trevas
e da escuridão eterna, que pelo sangue dos antigos se faça vida e apenas
derramando o próprio sangue encontre a segunda morte.
Eu sinto... Minha
alma está queimando! Mas meu corpo fica mais forte. O poder cresce em mim! Sinto
uma luz nascendo em mim... Meu livro... Minha gênese... Eu sou o céu e a
terra... E então nasce a luz... Esse é o primeiro dia... Eu sou o dia e vou
reinar sobre a noite...
Meu Deus, me
ajude... Meu Deus me perdoe, eu tenho muito medo.
Meu Senhor! Porque Tu mandaste esta missão para mim?
Não posso suportar a ideia de fazer mais mal. Oh Pai, eu sou Teu e Teu é o meu
coração. O Senhor pode salvar a alma de um pecador e resgatar uma alma perdida.
Perdoe-me Senhor por ter pecado tanto... Se eu puder fazer algo para consertar
o meu erro... Serei forte. Fugirei e tentarei salvar o que ainda resta de minha
pobre alma. Senhor dê-me forças e me proteja do mal.
Pater noster, Qui es in caelis, sanctificetur nomem tuum. Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra. Panen nostrum
quotidianum da nobis hodie. Et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos
dimittimus debitoribus nostri. Et ne nos inducas in tentationem: sed libera nos
a malo. Amen.
Há mais de Quinhentos
anos, viveu o príncipe. Minha alma
milenar se tornou uma vampira. Sou o próximo passo na evolução. Liderarei se me
permitirem, ou estarei sozinho se preciso. Mas sobreviverei. Minha sede de sangue aumentou e senti o cheiro de ódio e a fome de vingança que
circulava em minhas veias. Vi a besta crescer dentro de mim, mesmo eu estando
ainda vivo. Aprendi os poderes do feitiço e então foi só uma questão de tempo
até que conseguisse sair de meu torpor.
Faltava apenas o
sangue de um dos antigos para se fazer este feitiço e eu esperei por séculos
até que ele fosse encontrado. Eu sou o primeiro da minha espécie. O mundo como
humano não é mais para mim, eu sou o mestre... Drácula? Não... sou o novo Deus. Meu poder é
superior a tudo!
Nunca tive muito
contato com o pessoal da cidade e na escola eu era considerado o estranho...
Nunca fiz amizades, não tinha namoradas, mas sempre me apaixonei pelas pessoas
mais bonitas. Mas eu era promiscuo demais. O que é a justiça, o que é a vida
senão um grande jogo onde nós ganhamos e perdemos e nem sempre sabemos quem dá
as cartas... Só me resta matar esse corpo antes que toda minha alma se
corrompa...
Sentir a queda. A
pressão do ar. Meu corpo se contorcendo com a velocidade da decida... Sei que
vou sentir meus ossos se partindo ao entrarem em contato com o chão,
quebrando-se... Todos. A dor pode ser insuportável e levar à morte, mas, por
outro lado, pode apenas me fazer agonizar... Um suicida não tem o perdão dos
céus. Sentir a dor de todos os meus ossos quebrados e eu... Vivo... Uma dor
insuportável... Uma eternidade de tempo passando a cada segundo de minha vida,
sentindo e vendo a agonia dos que me cercam...
Se realmente não
puder suportar a dor da perda, sentirei a dor da queda no lugar, mas...
Porque sofrer por
quem não fala comigo? Não me responde.. Porque não aproveitar o mundo? Eu posso
ter muito mais...
Eu já fui
inocente! Já fui sano... Você me acha louco? Pensa que sou doido?... Consigo
ver pelos seus olhos a verdade que esconde seu coração.
Sempre fiquei em
segundo plano? Eu vim do mundo da escuridão como um deus vivo, mas não comerão
de meu corpo nem beberão de meu sangue... Servirão, porém, a mim, mesmo que sem
perceber, muito mais do que a qualquer outro, pois o corpo do homem não me
fascina, apenas quero aquilo que os domina, sua vontade, seu orgulho, sua
vaidade... Seu sangue sim, irá me alimentar. Não fui criado para ser escravo de
ninguém.
Vocês
também querem isso? Vocês não me enganam... Seu corpo pode até ser inocente,
mas a sua alma é maligna.
O
desespero assim como o medo adocicam a alma... Procuro companhia, mas irei só,
se preciso for. Me fortifiquei e me batizei com sangue, não por ser sagrado ou
profano, mas por trazer fragmentos de uma essência, eu almejo ter o mundo aos
meus pés, pois não quero carniceiros em meu encalço. A ganância não me cega,
quero dividi-lo com vocês, pois me ligam a seu tal Deus... Vocês poder ser
eternos como a piedade que sempre está presente no coração humano. E enquanto
houver faíscas de um ser vivente, lá estaremos. Me apego sem me iludir, pois é
a afeição por esses pecados que me fez presente na história. Seu sorriso
esboçado me ilumina para a grande obra prima. Surpreendentes façanhas inúteis,
que ameaçam sem coagir, provocam sem atacar e matam sem levantar o punhal. Sou
como o abutre, não caço e nem aniquilo, espero paciente. Esse é o fim do homem,
mas não da humanidade que se renova a cada era para minha supremacia.
Minha mente está
confusa... Eu quero viver, quero me lembrar de quem sou! Se comeres do fruto da
árvore sua mente se abrirá... E você se igualará ao Deus...
Não... Eu não
tenho coração... Não sinto amor, nem medo, nem alegria, e nem tristeza. Eu sou
vazio e viverei assim para sempre.
Eu era apenas
mais um pedaço desse quebra cabeças à que chamam de universo. Mas eu renasci
para ser o senhor do mundo... O Príncipe das Trevas e da Luz... Eu sou o
maior e mais poderoso de todos os vampiros, sou Drácula? Não... Sou Deus. Fui ressuscitado para dominar todo
o mundo...
O mundo é meu...
meu rebanho, mas não precisam se preocupar... Nunca mato mais do que preciso
nem menos do que me é de direito... Mas, e os homens podem dizer o mesmo.
Eu vou
esquecer... Esquecer o que fui e quem amei... Eu vou possuir o mundo.
Nenhum de nós se
contenta apenas com metades.
Meu coração há
muito tempo parou... Talvez ele precise
apenas ser reanimado...
Sou corpo sem carne e espírito sem alma. Sou o condenado e o
carrasco, o chicote e o perdão. Me alimento da dor e do sofrimento que inflijo
e do pecado que proporciono. Sabedoria não é andar atrás de meu desejo, mas
ficar nas sombras esperando que ele passe. Um dia tudo se acaba e como um belo
ciclo, se renova e reinicia. Lá eu estarei, aguardando um novo começo. Pronto
para, como a fênix, sair em meio as cinzas em busca de um novo ninho.
Sou a evolução da
humanidade. Sou uma raça criada para dominar o homem, nasci do desejo mais
íntimo da criação de seu deus... a sede de poder fez eu me tornar o ser mais
poderoso que existe Sou o que chamam de vampiro... De Drácula?... Não... de Deus... E irei viver a partir de sua
sobrevivência. Mas, não serei um ditador, não farei experiências com homens
vivos, não os torturarei, nem os sacrificarei sem razão. Não os manterei em
cativeiros, nem levarei seu ouro. Quero todos saudáveis e vivendo bem, vocês
serão meu alimento e eu os tratarei como a melhor lagosta do meu aquário. Serei
aquele que trará paz para o coração do homem.
Mesmo eu não tendo coração...
Guardem bem suas
lembranças, meus caros... Ter lembranças daqueles que você amou e perdeu é
melhor do que não ter lembrança nenhuma...
Alegrem-se em saber que
não vou chorar sobre o corpo inerte de cada um de vocês após sua morte. Agora
somos só nós... Ajoelhem-se para seu único senhor...
Vejam o rio puro da água da vida, claro como
cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua
praça, e de um e de outro lado do rio, estava a árvore da vida, que produz doze
frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde
das nações. E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela
estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão.
E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o
seu nome. E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem
de luz do sol, porque eu sou o Senhor...
Seu Deus que os ilumina para todo o sempre... Quem é injusto,
seja injusto ainda; e quem é sujo, seja sujo ainda... Serão meu remédio para a insanidade os cães e os feiticeiros,
e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e
comete a mentira.
E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro
desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e
das coisas que estão escritas neste livro.
(camisa de força)
O poder sobe apenas à
cabeça dos fracos, porque nós que somos fortes já nascemos com ele!